6.4.12


A Busca pela normalidade da Loucura.


      Para a proposta coreográfica de POR UM FIO, houve a Busca da loucura, da representação da mesma, mas sem a apresentação desta “característica” como algo pantomímico, a busca pela Normalidade da Loucura.
        Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (doentes psiquiátricos, alcoólatras e desviantes das mais diversas espécies).
    A companhia MIMULUS, transpõe o fascínio pelos bordados, escritos, amontoados de Arthur Bispo do Rosário, para a confusão de braços e corpos que bordam as criações coreográficas. Emaranhado de fios elétricos, filamentos das lâmpadas incandescentes que se confundem com os fios condutores das coreografias. Cenário e luz partem também deste emaranhado que tece a memória das coisas, fios inventários do mundo e suas coleções, das repetições que reverberam o anonimato de Bispo do Rosário. Nele se fazem presentes a luz e a sombra, a loucura, a memória.
     O figurino inspira-se na forma como os internos vestiam-se para os bailes da Colônia e é confeccionado em sua maior parte com o aproveitamento de retalhos e tecido descartados.
       O espetáculo POR UM FIO é uma homenagem ao centenário de nascimento de Arthur Bispo do Rosário e aos 20 anos de sua morte e a todos aqueles que fazem a arte sem saber que fazem.


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